Aquecedor solar pode reduzir
até 35% na conta de luz...
Aquecedor solar reduz consumo de energia
Tomar
banho quente sem utilizar o chuveiro elétrico já é
possível. O sistema de aquecimento solar pode ser instalados em
qualquer tipo de residência e pode representar uma economia de até
35% na conta de luz.
São
Paulo - O brasileiro utiliza preferencialmente energia elétrica
para o consumo doméstico. De todos os aparelhos, o destaque é
para o chuveiro elétrico. Especialistas do setor calculam que aproximadamente
7% de todo o consumo nacional de energia seja hoje utilizado somente para
alimentar chuveiros elétricos. Engenheiros elétricos e associações
do setor começaram a dar os primeiros passos em direção
a opções energéticas mais limpas e eficientes, como
o aquecimento solar. Essa alternativa para o aquecimento da água
provém de uma fonte absolutamente limpa, gratuita e inesgotável,
os raios solares.
Segundo
Luís Augusto Mazzon, vice-presidente de marketing e relações
governamentais da Associação Brasileira de Refrigeração,
Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) os aquecedores
podem significar uma redução de até 35% na conta
de luz. "A economia pode chegar a 35% no consumo de energia elétrica.
Esse número varia conforme o número de pessoas em cada residência
e o hábito de utilização do chuveiro elétrico",
alerta o engenheiro elétrico Augustin Woelz do Centro Incubador
de Empresas Tecnológicas (Cietec)
Os
aquecedores solares disponíveis no mercado custam, em média,
de R$ 800,00 a R$ 4.000,00, de acordo com dados da Abrava. Luís
Augusto aconselha o consumidor a comprar o produto apenas em lojas que
forneçam produtos autorizados pela Abrava e certificados pelo Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
(Inmetro). O executivo da Abrava avisa que o mercado brasileiro de aquecimento
solar vem crescendo a uma taxa anual de 50%. Hoje, o setor tem cerca de
400 mil sistemas instalados em residências brasileiras.
Como o aquecedor funciona, no verão e
no inverno
O
sistema de aquecimento solar começa com o coletor, principal componente
dos aquecedores solares, que é produzido para captar os raios solares
e transferir seu calor para a água. Os coletores podem ser instalados
em telhados ou forros de residências que recebam sol entre 8h e
18h. A água aquecida durante o dia fica armazenada em um reservatório
térmico, o que permite que a pessoa tome seu banho quente à
noite ou ao amanhecer.
No
inverno brasileiro, mesmo nos dias mais frios, o calor do sol é
suficiente para aquecer a água. Quando o tempo fica nublado, o
aquecedor ainda assim produz água quente. Mesmo com o mormaço,
muita energia solar é captada. "Em dias nublados, o aquecedor
funciona normalmente, pois o mormaço também fornece calor.
Isto proporciona a temperatura ideal para um banho agradável, mesmo
no inverno.", explica Luís Augusto Mazzon, da Abrava.
No
período de chuvas, os aquecedores acionam um sistema complementar
elétrico, o chamado aquecedor auxiliar, que aquece a água
por energia elétrica, permitindo que o usuário tenha sempre
água quente. Este sistema é ligado ao quadro disjuntor da
residência. "Em dias de chuva, a pessoa que possui um aquecedor
também toma banho quente. Gasta um pouco de energia elétrica,
mas nem tanto como o chuveiro elétrico", avisa Luís
Augusto.
Programas alternativos para populações
de baixa renda
O
engenheiro elétrico Augustin Woelz, desenvolveu no Cietec, em parceria
com a Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Energéticas
Nucleares (Ipen) e Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), um
projeto de aquecedores solares de baixo custo. O projeto está à
disposição de qualquer pessoa ou entidade que pretenda aproveitá-lo.
O custo de cada aquecedor varia entre R$ 15,00 e R$ 110,00.
Os
aquecedores operam com 150 a 200 litros de água por dia, a temperaturas
de até 55ºC. O sistema usa reservatórios de papelão,
de isopor e de alvenaria, além de caixas-d´água tradicionais,
em combinação com placas de termoplástico para converter
a luz em calor. "O aquecedor é produzido com objetivo de atingir
cerca de 25 milhões de famílias que moram em favelas, em
conjuntos habitacionais e na zona rural", avisa o engenheiro.
Na
cidade de Contagem, no interior de Minas Gerais, pesquisadores do Grupo
de Estudos de Energia da Pontifícia Universidade Católica
(PUC-MG) em conjunto com a Eletrobrás estão realizando um
programa de sistema de aquecimento solar. O projeto começou em
1998 e os aquecedores foram instalados em 100 casas populares.
Segundo
um dos coordenadores do projeto, Luciano Torres Pereira, os aquecedores
alternativos proporcionaram uma redução média mensal
de 30% na conta de luz dos moradores locais de outubro 2000 a fevereiro
2001. O aquecedor solar térmico de Contagem possui sistema de 200
litros com um coletor de 2 metros quadrados e abastece uma residência
com 5 ou 6 pessoas. "A grande vantagem é a economia no orçamento
mensal familiar", ressalta.
Caio Prates
Fonte: Estadão
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